quarta-feira, 20 de abril de 2022
Latapia.
A sombra do beija-flor afunda-se na tarde sem fim, faz calor mas há vento, há alegria mas tudo lento.
O gato dorme na sombra, mas espera pelo momento, a borboleta dança no ar, facilmente resiste até se cansar.
A torneira pinga e vai pingando, por cada gota uma liberdade finita, por cada poça uma dimensão restrita.
O aroma do sexo acabado de fazer, foi satisfatório, ás vezes a doer, o eco dos gemidos perdidos em lazer.
domingo, 25 de abril de 2021
The Lodge.
In here times slows down, I become a single fragment of my former self, breathing, feeling, experiencing a set of complementary distortions bent on numbing the outer reality.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
The Boy.
One evening.
He laughed, he laughed some more, he kept laughing until he was no more.
One day he believed, he used to believe, he jumped, he used to jump.
Crossing distances, he used to cross, sometimes running, sometimes jumping, until he was at a loss.
He used to dream with distant shores, sometimes forests, sometimes fire.
one night.
He burned inside out from desire.
sábado, 28 de março de 2020
(L)
As the fog slowly lifts from the landscapes in your eyes, it reveals every corner of deception and embraced illusions that have been fed to you, through years, your senses unbecoming of numbness are purified to the stark point of sharp knives, ready to unleash, what is considerable and justified, it’s dawn, it’s time.
sexta-feira, 27 de março de 2020
(N)
Close your eyes, create your own night, the dream is at hand, slipping through fingers, the guardians of tongues deny simple pleasures, while they can’t see, we illegally taste.
(F)
As it burns, it destroys, but also heals.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Nature.
Unrestrained creative process is chaotic and disorderly, the beauty of the spontaneous gives birth to primal instances accumulated through time and moment, in voracious instances creation is an end through natural means.
2019.
Rei de Nenhures.
Servo de Lado Nenhum.
segunda-feira, 16 de abril de 2018
Thinking about Mishima.
The mind is usually betrayed by the heart. Thoughts craft the daggers that desecrate the blood that flow from the heart to feed the mind.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Little Deaths.
You are composed of many little deaths, snakes shed their skins to allow for further growth. Consciously and unconsciously so do you.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Wanderlust.
Your best trips might not be the idealistic ones you set and expect, by opposition it's the transformations operated in you that might indicate how fruitful your trips were.
domingo, 24 de setembro de 2017
What is it? if it's something?
Many paradoxes, many asymetries, black becomes white and white becomes black. You believe you are heading south, but you may actually be heading north. Many ways, many rivers, kissed by loathsome bridges, but all leading to one single Truth?
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Impo(n)(t)ente.
Na outra margem, eu, observando aquelas figuras imponentes, admiro-as, reduzidas agora a pequenos traços de ferro fundido, uma vez erguidas, agora disformes não são mais, tento esquecer-me. O simbolismo do momento ficou-me na memória, sabemos que os reinos foram criados entre pequenos prazos de existência e uns alongam-se para lá do prazo, é idiótico, porque do exterior parecem imutáveis, mas a substância interior, o espírito e a carne apodrecem, com isso as fundações tremem, uma por uma vão caindo, qual efeito dominó, disformes. Não me esqueço.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Escárnio.
Não receio fantasmas, assombrações não me inquietam, apenas me aborrecem, são como árvores com raizes carnudas que se fixam a um local e apenas sabem avespinhar quem visita e quem passa, as árvores com ramos e folhas caducas, os fantasmas com suspiros e sopros.
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Minos.
Ainda há quem deixe migalhas para se encontrar, ser encontrado ou não se perder do caminho de casa?
E num labirinto, um fio ainda vale ouro, se marcar a entrada, o ponto de partida, para aquele que procurando derrotar minotauros, não se perder?
Há que saber observar, apreciar, seguir e no fundo gostar de descobrir as pistas que são deixadas, e naquele bom beijo que deixa muita gente perdida mas com gosto, nada acima referido serve.
No viver simples, há ouro, mas poucos são bandidos o suficientes para o perceber, no entanto, esses acabam por ser aqueles que são capazes de roubar os melhores beijos, certo? talvez.
Ainda assim, o tempo não entrega nada de bandeja, pelo contrário, é melhor a roubar do que a oferecer, nas complexidades e teias com que nos vai presenteando, meio puzzle meio quebra cabeças, desfaz e refaz fortalezas e homens, muros e campos, na imortalidade do mesmo existe a tirania do sempre, do infinito que ainda desconhecemos porque nós próprios finitos sucumbimos sempre aos seus designios.
E como ficam os minotauros? na solidão de labirintos, escuros, á espera que os venham encontrar, defrontar ou apenas conversar, como passam o tempo? ou melhor, como passa o tempo por eles? ambos. Esperam, á espreita, no escuro, ouvem e desdenham por ouvir e ver. ambos.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Ça Va.
As banalidades de hoje aliadas á boçalidade de amanhã fazem uma união pérfida de delírios ignorantes sem finalidades saudáveis.
Correm-se riscos ao abrir a boca e dar uso á língua, as línguagens perdem-se nas estrangeirices, nas carneiradas de grupos sem autonomia que sobrevivem de lambebotismo e servilismo canídeo.
Brindam a isto, os que brindam a isto, a este mundo corrupto e sem norte, são os senhores que calçam as botas mais brilhantes de todas, mil línguas se debruçam sobre elas, essas mil línguas que tentam por toda a maneira e feitio lamber profissionalmente na esperança de conseguirem mais umas migalhas que lhes afaguem o êgo, felizes parecem, de joelhos e cotovelos no chão, como cães, como cães que procuram segurança num dono qualquer. Sem orgulho.
Os pequenos desgostos acumulam-se e acentuam-se, unidos, fortes ficam, e como chamas alimentam as colunas que não de madeira, marcham á procura de justiça, e ai de quem se atrevesse no seu caminho, unidos como estão, e ao passe que tomam, nada servirá de obstáculo, nenhum bloqueio atrasará estas vontades acumuladas que ardem e alimentam a esperança por novos dias, os campos que um dia floriram mas que agora desertos estão, voltarão a florir, essas flores servirão de mensagem a todos que as consigam ler e que muito carinhosamente reflectem destinos alimentados por vontades.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
To Cohen.
Poetas que se vão, finam-se por três, porque a todos chega a hora, porque a todos chega a vez.
Um brinde a todos os viajantes que se imortalizam em palavras e versos, eternos.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Mercúrio.
As doces repetições de momentos gastos, que adquirem novos sabores depois de isolamentos perpendiculares á espreita de resultados oblíquos, panoramas obtusos envolvidos em desgastes rápidos de desejos fugazes e violentos, assentes em blocos de granito, frios vazios repletos de inconsequências semi-inconscientes a roçar a loucura. As esperas curtas, os abraços longos, os sorrisos em vão que cortam a chuva, os espectros molhados que caminham secos por dentro, que tocam tudo e sentem nada, as cantigas de bandido que se ouvem ao longe, mas perto do ouvido, desafinadas em sentido mas sucintas em alcance. As máscaras complexas de teias enroladas, construidas por aranhas sicofantas encarnadas em silêncios repentinos que nada fazem crer, de falsas partidas e jogos sem sofrer. O invulnerável que sempre os outros protegeu, mas fraco de fundações nas repetições se perdeu.
The Choice.
If you had to pick between two different kinds of poison, which one would you pick?
Option A) The one that kills you in the least amount of time?
Option B) The one that takes longer to kill you?
Post-Scriptum:
A bit like the American elections*
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
And Solace.
Beneath these roots and veins, amid the sticks and bones, I seek to understand. Ancient links carry the old and give way to the new, the last remnants of purity and lore. I walk, threading between it's secrets hidding among leaves and stones.
Nostalgia, her influence is felt deep within, primitive, this gentle connection exerted by Mother Nature, I long, to ear her speaking in tongues so familiar that will never be foreign, words bonding souls, bringing the much needed comfort to my own feelings and calmly laying the inner unrest to sleep..
Nature, my peace & solace.
http://noir-division.deviantart.com/gallery/60620827/And-Solace
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